Investimentos para o futuro. Ter uma casa para viver a velhice, viver a energia que nos resta. Geralmente é esse o único sentido que os pais dão para um filho se entregar à labuta. Se não é esse, um dos mais comentados é a obsoleta dignidade. Obsoleta nos dias de hoje, principalmente se tratando do sentido considerado pelos nossos patriarcas. E assim, com esse sentindo bem vago, difícil de ser entendido por boa parte da juventude atual, nossos pais e conselheiros mais velhos nos confundem e inibem cada vez mais os nossos instintos de procurar a felicidade.
Provavelmente é alguma frustração seguida de consolo. Frustração por, na época de juventude deles, não conseguiram correr atrás das suas vontades e realiza-las. Respeito incondicional aos que venceram. Naquela época era tarefa árdua. Se hoje já é, imagina vivendo em cidades completamente conservadoras, semi-rurais, onde a pesada mão da igreja e a falta de cultura dos pais imperavam. Sem falar nas oportunidades. Hoje essas são bem diversificadas, podem atender a todos os gostos, tanto financeiro como emocional. Daí vem a frustração. E o consolo, fácil dizer qual é. O consolo é o próprio sentido que eles usam nas explicações mirabolantes e incentivos paupérrimos que nos fazem ouvir: a sonhada estabilidade financeira, a casa própria, o churrascão no final de semana que vai ser bem comentado pela vizinhança, as bundas no sofá vendo a telinha esquentando.
Quando eu vejo pais incentivando os filhos - veja bem, incentivando, não dando conselhos erráticos e pernetas - eu tenho vontade de aplaudir. Também por carência que sinto disso. Incentivar os filhos a correr atrás do que acredita não quer dizer: "Vai lá filhão, se fode aí! Qualquer coisa eu to aqui." Incentivar é dar suporte, neste caso, principalmente o emocional - o financeiro também é imprescindível. É muito mais fácil você acabar se tornando bem sucedido em algo que aprecia, que faz com gosto e abnegação, do que apenas cumprir tarefas bem remuneradas, sem saber o porquê, o pra quê e principalmente sem gostar. É mais importante se sentir bem sucedido do que ser bem sucedido para quem quer isso de você.
O mundo hoje oferece muitas oportunidades para quem corre atrás do que quer. As vezes um empurrãozinho paternal pode criar uma pessoa que se sente a mais feliz do mundo, mas o receio e a ideia conservadora, de querer criar um filho para si e não para o mundo, geralmente repetem a história na íntegra:
frustração e consolo.
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